quinta-feira, 23 de março de 2017

Saloá possui muita água! O que falta são políticas públicas estruturantes

Por Wellington Freitas

Estamos vivendo uma das maiores crises hídricas e consequentemente uma das maiores secas da história contemporânea do estado e do Brasil. A seca já nos castiga à aproximadamente sete (07) anos ininterruptos com um período muito forte de aproximadamente cinco (05) anos de seca extrema.

Nosso estado está inserido no chamado “polígono da seca” que abrange os estados do Piauí, Ceará, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Minas Gerais atingindo cerca de 1400 municípios, afetando aproximadamente 23 milhões de pessoas, segundo dados da revista Exame, publicada em reportagem de janeiro de 2017.

Localizado no agreste meridional pernambucano, o município de Saloá, possui uma das maiores reservas hídricas da região. O município abriga algumas das extensões de terras dotadas de água no subsolo mais exploradas da região.

São dezenas e dezenas de poços artesianos perfurados à baixa profundidade que abastecem municípios vizinhos como, Paranatama, Garanhuns, Terezinha e principalmente Iati. Essas águas são retiradas do subsolo e comercializadas através de carros pipas sem controle algum, além de servir para produção de alimentos na região (sítio), popularmente conhecido como Catimbau.

A produção no sítio Catimbau, abastece as várias feiras livres da região e um colapso na oferta de água poderia prejudicar e até elevar os preços de alguns alimentos, principalmente hortaliças, A preocupação por parte do governo deve ser assunto debatido, pois em alguns locais pode futuramente ocorrer desertificação, por conta do uso desordenado dos recursos hídricos, combinados com um forte desmatamento que observamos na localidade.

O município também é riquíssimo em água na região do chamado sítio Gigante e Mata Verde. Os recursos hídricos nestas localidades também sofrem uma exploração predatória na captação de água. É nessa região que funciona um dos maiores parques aquáticos do Nordeste e do Brasil. Nesses pontos também observamos um forte desmatamento, o que também pode levar o local para a desertificação dentro de algumas décadas.

Outra questão abordada aqui deve ser a comercialização do líquido precioso, que dentro de alguns anos deverá se tornar alvo de disputas governamentais e até guerra. A água é do estado e não dos municípios, só que a legislação deve avançar nesse ponto e novas políticas deverão ser adotadas em poucos anos. Por ocasião da construção do parque Eólico nos municípios de Paranatama e Caetés em meados de 2014 início de 2015, comprava água totalmente potável para "aguar" as estradas por onde os veículos passavam, para que os mesmos não produzissem poeira para as residências nas "beiras de estradas". 

Para se ter uma ideia, o município de Saloá, abastece quase que exclusivamente o município de Iati com água. Nosso vizinho compra água aos donos de fontes (poços) e as leva encanada até o povo iatiense. Inclusive é assunto festejado e anunciado como obra estruturante por parte da prefeitura local.

E enquanto isso, o povo de Saloá, continua sofrendo com a péssima estrutura do município nesse quesito, onde a COMPESA tem uma péssima avaliação popular. Os poços (locais) onde a COMPESA capta água são da administração do primeiro prefeito da cidade, na longínqua década de 70. De lá para cá, a companhia pernambucana de saneamento, pouco fez ou nada fez para melhorar o abastecimento.

A sede do município hoje é suprida de água por poços artesianos particulares - pessoas com poder econômico perfuraram poços na área urbana e encanaram água para as casas dos cidadãos e deles recebem mensalmente -. Esses poços, hoje correspondem a quase 50% do abastecimento total das residências Saloaenses.

A outra parte da cidade é abastecida por caminhões pipas, contratados da Compesa, que vão buscar água em Garanhuns, para abastecer a cidade, o que convenhamos é um absurdo. Veja, temos água e vendemos a todo mundo e na hora que precisamos do liquido que nos dá a vida, mandamos buscar em outro município. Um absurdo.

O que falta à Saloá e aos governos estadual e municipal é coragem e verdade para encararem a realidade. Nos tempos de seca que vivemos, água em Saloá, só serve para fazer propaganda e política enganosa...

Wellington Freitas é professor e graduando em Direito.

Nenhum comentário:

Postar um comentário