terça-feira, 9 de abril de 2013

Tomate, o "vilão" da cesta básica nacional, subiu 99,48% em um ano

O quilo do produto, em média, custava R$ 3,83 em março nos supermercados do Recife, segundo a pesquisa do Dieese. Foto: Adauto Cruz/CB/D.A Press

O tomate está mesmo com tudo em cima. Inclusive o preço: nos últimos 12 meses, o produto foi um dos vilões no custo final da cesta básica no Recife, que hoje custa R$ 280,01. Segundo o Departamento Intersindical de Estátistica e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço final do fruto acumulou uma alta de 99,48% nas gôndolas da capital pernambucana, entre março deste ano e março de 2012.

No entanto, o consumidor recifense pagou menos em março do que em fevereiro pelo tomate. No último mês, segundo a pesquisa da cesta básica, houve uma queda de 6,36% no valor do produto, ao contrário do que vem sendo observado em estados do Sul e Sudeste. O quilo do fruto, em média, custava R$ 3,83 em março, abaixo dos R$ 4,09 registrados no mês anterior, na análise do Dieese.

Em março, metade dos 12 produtos pesquisados no Recife registrou variações negativas em seus custos médios: o tomate (-6,36%), açúcar (-4,95%), o arroz (-2,66%), o óleo de soja (-1,27%), o café (-0,47%) e a carne (-0,34%).
No caso do açúcar, a redução observada no preço médio, em termos mensais anuais, deve-se à queda dos preços da commodity nas bolsas internacionais, provocada pelo aumento dos estoques globais e da produção mundial em 2012, oriunda principalmente da Tailândia, Austrália, Rússia e Europa.

Os demais itens apresentaram altas no mês passado, com destaque para o feijão (7,68%), a farinha de mandioca (6,81%), a banana (6,69%) e a manteiga (2,04%). Em termos anuais, por sua vez, observou-se forte elevação no custo médio de 11 dos 12 produtos pesquisados. E o destaque não é o tomate, que praticamente dobrou de preço no período. No Recife, assim como em outras cidades nordestinas, a farinha de mandioca (141,30%) foi o produto que mais encareceu a cesta básica. A banana (40,52%) e o arroz (28,03%) também estiveram no ranking dos itens mais caros.

“Apesar da redução (no Recife), a tendência apresentada no conjunto das capitais foi de forte elevação, fruto da redução de 16% verificada pelo IBGE. Isso decorreu pela redução da área plantada em função dos baixos preços praticados nos anos anteriores, restrições climáticas em áreas produtoras, excesso de chuvas no Centro-Sul e seca no Nordeste”, explicou Jackeline Natal, supervisora técnica do Dieese em Pernambuco. Segundo ela, os preços do insumo podem se elevar ou estabilizar devido ao início da entressafra entre abril e julho. Vale lembrar que o aumento dos combustíveis (elevando o frete) também ajudou nos fortes aumentos.

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